A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES, entre os dias 26 e 28 de novembro, o mais importante evento sobre água no mundo: a RIO WATER WEEK – Semana da Água do Rio. Realizado pela primeira vez no Brasil, o encontro ocorrerá no Riocentro, no Rio de Janeiro.

Na entrevista, a seguir, André Silveira, da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental – do Ministério das Cidades, um dos coordenadores da programação, fala sobre o significado do encontro. Segundo ele, “o Brasil, que possui um ambiente institucional complexo, tem muito a contribuir para as discussões mundiais”. Sobre a iniciativa, André ressalta, ainda, que “organizar um evento deste porte reforça e reafirma a capacidade da ABES de mobilizar o setor em prol da agenda da água”.

A RWW contempla 9 temas centrais, desenvolvidos em 20 tópicos e 35 sessões, sob a coordenação de especialistas nacionais e internacionais.

Realizado em outros países, como Suécia e Cingapura, o evento reunirá profissionais e empresas do Brasil e outros países e envolverá também a comunidade acadêmica, especialistas e organizações internacionais para discutir a água em sua concepção mais ampla, abordando desafios, políticas públicas e soluções e tecnologias existentes no Brasil e em todo o mundo, com foco no ODS 6 –  ÁGUA E ESGOTO PARA TODOS ATÉ 2030.

Leia a entrevista:

ABES Notícias – Qual é a importância para o Brasil da realização de um evento internacional consagrado em outras cidades do mundo?

André Silveira – O Brasil vem há algum tempo defendendo a bandeira da sustentabilidade em arenas internacionais, tendo um efetivo protagonismo nas discussões sobre o tema. Desse modo, é natural que o país realize eventos que discutam a sustentabilidade do seu próprio território e de países vizinhos, utilizando como inputs experiências internacionais consolidadas. Além disso, é uma grande oportunidade para debater soluções e, obviamente, apresentar e disseminar iniciativas nacionais que possam servir de subsídios para outras regiões ou países.

 

ABES Notícias – Discutir a água de um ponto de vista mais amplo será o grande desafio do evento. Como você vê a diversidade de participantes (empresas, ONGs, governos e outros organismos) e como esta diversidade pode contribuir para a discussão?

André Silveira – No Brasil, há fóruns voltados a discussões técnicas aprofundadas sobre aspectos específicos do tema água. No entanto, entendo que o diferencial do Rio Water Week é a possibilidade de inserir no mesmo espaço de discussão pessoas de diversas nacionalidades, formações e visões políticas, de maneira que as soluções postas passem por uma crítica mais sólida.

Este processo contribui para o aperfeiçoamento do setor água, conecta pessoas e difunde boas práticas. Assim, entendo que a diversidade fundamenta a discussão ampla e democrática que a Rio Water Week pretende realizar.

 

ABES Notícias – O Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, integra a coordenação dos Grupos dos Temas 2 (Governança e Planejamento), (Gerenciamento Eficiente), e 9 (Mudanças Climáticas e Inovação). Como o Brasil pode contribuir para esta discussão mundial e o que outros países poderão agregar ao debate e à experiência brasileira?

André Silveira – O Ministério das Cidades vem trabalhando no sentido de conferir maior racionalidade ao setor do saneamento, por meio de práticas de planejamento (v.g. elaboração do Plano Nacional de Saneamento Básico e fomento à elaboração dos Planos Municipais de Saneamento) e disseminação de informações (por meio do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento – SNIS). Além disso, vem, por meio de parcerias, atuando para a melhoria da eficiência dos serviços de saneamento, com destaque especial ao combate a perdas de água, à melhoria da eficiência energética nos sistemas de abastecimento e ao incentivo à consolidação do modelo regulatório no setor.

É importante destacar que as políticas de saneamento básico no Brasil, de forma geral, não trazem em seu âmago critérios climáticos (como, por exemplo, emissões de gases do efeito estufa) em sua formulação. No entanto, este lapso vem sendo corrigido por meio de novos estudos sobre mitigação e adaptação a mudanças climáticas, liderados em grande medida pelo Ministério do Meio Ambiente.

Entendo que o Brasil, que possui um ambiente institucional complexo, tem muito a contribuir para as discussões mundiais. Apesar de nós, brasileiros, reconhecermos pouco os avanços da política de saneamento dos últimos anos, há muito a ser propagado, disseminado e discutido.

Na minha opinião, sempre temos a aprender com as soluções encontradas por outros países. Se bem que quase sempre essas soluções não sejam imediatamente implementáveis, conseguimos a partir delas enxergar novas respostas aos nossos problemas.

 

ABES Notícias – Poderia comentar sobre a contribuição da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério das Cidades nesta realização?

André Silveira – A Secretaria tem interesse em contribuir para estes espaços de discussão. Por um lado, é um momento de apresentar os avanços da política de saneamento, de ouvir críticas e internalizá-las e de trocar experiências com outros atores. Por outro, é uma oportunidade para a proposição de novas políticas e abordagens. Em razão disso é que a Secretaria vem apoiando o desenho das sessões nos temas de Gestão Eficiente, Mudanças Climáticas e Governança e Planejamento.

 

ABES Notícias – O que você tem a dizer sobre os especialistas que já integram os esforços para o evento? 

André Silveira – Participando mais ativamente do tema Gestão Eficiente, já começamos a nos conectar a autoridades nacionais e internacionais nas diversas áreas de conhecimento que comporão este tema (perdas de água, eficiência energética, indicadores de desempenho, etc.). Trabalhar neste nível sempre é um desafio e um aprendizado constante, caracterizando-se como uma oportunidade de explorar novos conceitos, identificar temas de interesse em nível global e construir uma rede de contatos.

 

ABES Notícias – Como você vê o papel da ABES trazendo o evento para o Brasil e como organizadora principal? 

André Silveira – Organizar um evento deste porte reforça e reafirma a capacidade da ABES de mobilizar o setor em prol da agenda da água. Entendo esta iniciativa como o mais novo desafio que a ABES se dispõe a realizar, razão pela qual parabenizo a instituição.

 

ABES Notícias – Qual é a sua visão sobre as discussões da primeira RWW em relação a ter impacto não apenas técnico e institucional, mas também político, em nosso país e outros?

André Silveira – Na minha visão, discussões ocorridas em eventos do porte do Rio Water Week por si só já sensibilizam o mundo político. A diversidade de atores (entes públicos, ONGs, sociedade civil, militantes, empresas, etc.) e a profusão de ambientes para debate tendem a auxiliar a construção de consensos e alianças, elementos fundamentais para o avanço das políticas públicas.